“Merry… você voltou.”
“Como sabia que era eu?”, perguntei.
Um sorriso triste apareceu em seu rosto.
“Buddy soube primeiro. Meu coração soube depois.”
Ele deu um passo cuidadoso à frente, com uma das mãos estendida. Quase tropeçou no tapete. Sem pensar, estendi a mão e segurei seu pulso. Callahan ficou imóvel sob meu toque. Então, delicadamente, encontrou meu rosto novamente.
“Você é a mulher mais linda que já conheci, Merry.”
A honestidade daquelas palavras me atingiu mais forte do que qualquer pedido de desculpas.
Então senti um leve cheiro de queimado e olhei para o fogão.
“Callie! Você está queimando alguma coisa?!”
Ele franziu a testa.
“Não.”
A omelete na frigideira estava completamente preta. Comecei a rir tão forte que precisei me apoiar na bancada, e Buddy começou a latir como se reconhecesse o som da felicidade. Callahan também riu — a primeira risada verdadeira desde a noite anterior.
“A cozinha”, eu disse entre lágrimas e risos, “agora pertence a mim.”
Essa se tornou minha primeira decisão oficial como mulher casada.
Buddy se esticou debaixo da mesa como uma testemunha de negociações de paz e abanou o rabo toda vez que um de nós ria.
Pela primeira vez em anos, não sinto mais vergonha das minhas cicatrizes.
Finalmente entendi que o que aconteceu comigo nunca foi culpa minha. E a única pessoa que conhecia a verdade mais feia ligada a tudo aquilo ainda olhou para mim — através da própria escuridão — e encontrou algo digno de amor.
